sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Edgar Morin


EDGAR MORIN – considerado um dos maiores pensadores do século XX, é doutor honoris causa em 17 universidades de diversos países, diretor do Centro de Estudos Transdisciplinares em Paris, presidente da Agência Européia de Cultura da Unesco e presidente da Associação de Pensamento Complexo.

Sete Saberes — proposta para uma reorganização da educação,
através do estudo que revela as necessidades para a educação do futuro.

1. Reconhecer as cegueiras do conhecimento, seus erros e suas ilusões – é assumir o ato de conhecer como um “traduzir” e não como uma foto correta da realidade. Trata-se de armar nossas mentes para o combate vital pela lucidez, e isso significa estar sempre buscando modos de conhecer o próprio ato de conhecer.

2. Assumir os princípios de um conhecimento pertinente – entende-se a necessidade de ensinar os métodos que permitam apreender as relações mútuas e as influências recíprocas entre as partes e o todo desse mundo complexo. Trata-se de desenvolver uma atitude mental capaz de abordar problemas globais que contextualizem suas informações parciais e locais.

3. Condições Humanas – deveria ser o objeto essencial de qualquer sistema de ensino, e isso passa por considerar conhecimentos que estão dispersos em várias disciplinas, como as Ciências Naturais, as Ciências Humanas, a Literatura e a Filosofia. As novas gerações precisam conhecer a unidade e a diversidade do humano.

4. Identidade planetária – tem a ver com mostrar a complexidade da crise planetária que caracteriza o século XX. Trata-se de ensinar a história da era planetária, mostrando como todas as partes do mundo necessitam ser intersolidárias, uma vez que enfrentam os mesmos problemas de vida e de morte.

5. Enfrentar as incertezas – reveladas ao longo do século XX através da Microfísica, da Termodinâmica, da Cosmologia, das Ciências Biológicas Evolutivas, das Neurociências e das Ciências Históricas. É preciso aprender a navegar no oceano das incertezas através dos arquipélagos das certezas.

6. Compreender – é, ao mesmo tempo, meio e fim da comunicação humana, portanto não pode ser algo desconsiderado pela educação. Precisamos passar por uma reforma das mentalidades.

7. Ética do gênero humano – propõe uma abordagem que considere tanto o indivíduo quanto a sociedade e a espécie. E isso não se ensina dando lições de moral. Isso passa a consciência que o humano vai adquirindo de si mesmo como indivíduo, como parte da sociedade e como parte da espécie humana. Isso implica conceber a humanidade como uma comunidade planetária composta de indivíduos que vivem em democracias.

Texto adaptado da matéria publicada na revista Linha Direta, ano 5, nº 57, de dezembro de 2002. 

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